Este blog acaba de nascer de uma conversa íntima entre dois amigos, com gostos e ideias bastante similares em relação à vida e ao sexo.

07
Mar 09

 

Ou do João, ou do Pedro, ou quem sabe do Gonçalo. A única coisa que sei é que é bom tropeçar nele na estação, adoro que faça parte da mesma multidão que eu.

Sentou-se num fim de tarde virado para mim, com uns míseros bancos entre nós. Calado, acompanhado de uma gralha, suponho que colega de trabalho. Boca de trapos. Irritante. Ele tão calado quanto possível, de olhos baixos. Uma cara bem ao meu estilo, estilo " je ne sais quoi ". Indumentária assim a atirar para o fashion, corpo magro e modesto.

Coincidência ou não, a carruagem começou a ser a rotineira última carruagem, e com os mesmos míseros bancos entre nós, na maioria das vezes de frente um para o outro. Finjo-me indiferente. Leio. Observo a paisagem através do vidro. E de uma forma mal educada, oiço as conversas dele com a gralha. O tom de voz dele é tão baixo que me custa perceber o que diz, talvez  fosse melhor sussurrar-me ao ouvido.

Como existem felizes coincidências, passa a vir acompanhado não só da gralha mas de uma minha conhecida. Continuo a ignorá-lo, a ele e a elas. Aproveito-me do reflexo do vidro e reparo que ele me observa quando pareço alheada de tudo. Finjo-me cada vez mais distante e ele segue-me pelo canto do olho enquanto passo no corredor para sair. Já há algumas estações que ficou sozinho.

Os meus finais de tarde têm agora um encanto especial. Talvez nunca passe de um encanto, mas até ver... hmmmmmmm!

 

 

publicado por L. às 12:26


Incrível, todos nós viajantes de transportes públicos temos uma historia muito parecida, A Troca de olhares e o cheiro perfumado da tal gaja...
Piratinha a 9 de Março de 2009 às 09:52

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"Deves querer comer-me não"
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