Este blog acaba de nascer de uma conversa íntima entre dois amigos, com gostos e ideias bastante similares em relação à vida e ao sexo.

14
Mar 09

 

Há noites demasiado frias para não estar nos teus braços.

 

Foi numa dessas noites que fechei os olhos com força e com mais força desejei, de uma forma telepática, conseguir fazer-te sentir que o teu lugar era ali ao meu lado. O telefone havia de tocar, tinha que tocar... como era possível não sentires o meu desejo chegar a ti? Um desejo tão violento que me fazia temer, e secretamente ter esperança, que atravessasse paredes e pontes e se entranhasse no teu corpo.

 

Tinha que tocar, maldito telefone! Hoje ou nunca mais! E o silêncio quase me enlouqueceu.

 

Tinha que te ter nessa noite. Decidi enviar-te uma sms simples e directa ," quero-te agora! ". Limitaste-te a responder uma daquelas merdas que te fazem tão bem, que quase deitam tudo por terra, " deixa-te de tretas, vamos é beber um copo ". Pensei que íamos beber os copos que quisesses mas que nessa noite ías ser meu.

 

Entrei no carro e cumprimentei-te como se cumprimenta um amigo, mas nada me deixava sossegar. As tuas mãos no volante, os teus dedos a mexer no rádio, a tua voz, os olhos no retrovisor, tudo o que era banal transpirava sensualidade.

 

Entrámos num bar, numa rua de uma Lisboa que à noite se torna demasiado romântica. E na verdade, bebemos os tais copos, falámos de banalidades, comportámo-nos como amigos e nem uma palavra sobre qualquer assunto que fosse comprometedor. Uma saída como tantas outras que já fizémos. Mas o olhar... no olhar havia te(n)são.

 

Estava na hora de regressar a casa e já sentia a frustração de um final como todos os outros. A desilusão de mais um fracasso, de mais uma noite desperdiçada, a convicção de que jamais te iria ter.

 

Enganei-me. O teu beijo de despedida não foi de amizade, foi um beijo que pedia muito mais, um beijo que foi o início do que já deveria ter vindo há muito tempo. Puseste o carro em movimento novamente, sem uma palavra. Permiti-me a liberdade de pousar a mão na tua perna e tu permitiste-te a liberdade de pousar a mão na minha mão. O meu corpo começou a entrar em êxtase enquanto adivinhava e ansiava pelo momento seguinte.

 

E finalmente o carro parou, num daqueles sítios com uma paisagem de cortar a respiração, possivelmente onde engatavas outras mulheres. Confirmaste a minha suspeita mas afirmaste que comigo era diferente, era tudo diferente. Já não acredito numa palavra tua mas não quis estragar o momento. Falámos sobre nós, senti-me em sintonia contigo, mesmo que tudo fosse puro engano aquela noite era minha. Beijaste-me mais uma vez e quis ficar ali para sempre. O cliché de " quem me dera que o tempo parasse agora " fazia sentido na minha cabeça.

 

Começou a tocar no rádio uma música que, bem ou mal, para nós era cheia de significado. Quiseste dançar comigo e dançar era o mesmo que perdermo-nos ali. Aumentaste o volume do rádio, ligaste os faróis e saímos do carro. Dançamos ali mesmo, quase imaculadamente iluminados, enquanto o corpo começava a ceder à vontade.

 

Deitaste-me no capot do carro, e os teus beijos, embalados pela música, percorreram o meu corpo quase milimetricamente. Seguraste-me os braços acima da cabeça enquanto me saboreavas como se fosse a última refeição de um condenado. Os seios, as cochas, a vagina molhada. E foi aqui que te detiveste, foi aqui puseste em prática o prometido, foi aqui que tornaste palpável a tua paixão. Lambeste, chupaste, brincaste, enquanto eu enlouquecia e tudo esmorecia à minha volta. Estava demasiado excitada para continuar sem ti. Despi-te as calças e os boxers, acariciei-te com as mãos, com a boca, beijei-te mais uma vez e com a minha mão encaminhei-te com urgência para dentro de mim. E essa urgência também era tua. Não foste meigo nem te pedi que fosses. Penetraste-me com paixão, com a vontade contida durante tanto tempo. Uma e outra vez. Não sei durante quanto tempo, mas podia ter durado uma eternidade. Sentir-te dentro de mim foi o culminar de todos os desejos do universo em uníssono. Os gemidos ecoavam na paisagem virgem, que contrastava com uma cena pouco púdica e aberta a quem quisesse ver.

 

Finalmente o orgasmo, espectacular, em simulâneo. Prometeste-me mais. E na noite fria, estava finalmente nos teus braços, e entre os nossos corpos existia muito mais do que as palavras podiam expressar. Prometemos regressar, muitas vezes....

 

 

 


Considerações

 

Em conversa com a Millady no msn, a quem aproveito para dar as boas vindas enquanto nova participante no nosso blog, fiquei a pensar em algumas coisas que talvez nem me devessem preocupar, mas na realidade preocupam.

 

Para quem passa nos nossos blogs, será fácil rotular-nos em letras garrafais com um " FÁCIL DE COMER ". Lamento desapontar as puritanas e os esperançosos mas não é de todo assim.

 

Quando criei este blog, existia um grande objectivo ao qual quase posso chamar de serviço público. Não sinto qualquer necessidade de me expôr e muito menos de partilhar a minha sexualidade com quem quer que seja. Não quero picar nem comer gajos que leiam as minhas palavras. Espero não parecer demasiado utópica, mas o que eu gostava mesmo era de abanar algumas mulheres. Abaná-las e fazê-las perceber que a vida são dois dias e o carnaval deviam ser três.

 

Já fui assim, como muitas mulheres, e quem nos segue desde o início do blog sabe disso. Sofria frequentemente dores de cabeça, cansaço e indisposições, até ao dia em que ao ler blogs como o meu, senti que estava a desperdiçar uma das melhores coisas da vida, e decidi fazer alguma coisa para mudar o cenário. E fiz! Esgravatei, pesquisei, atirei a pílula ao lixo e comecei a disfrutar sem problemas e macaquinhos no sótão.

 

Espanta-me a inércia de algumas mulheres no que respeita à sua vida sexual insatisfatória. Espanta-me que ponham os casamentos em risco, que não procurem um médico, que não procurem quebrar a rotina. A sério, espanta-me! Desculpem lá a sinceridade!

 

Hoje percebo que um homem procure sexo fora do casamento, porque sei o que é sentir necessidade de sexo. Apedrejem-me. Está na moda dizer que sexo é importante, mas afinal muitas mulheres não lhe dão a  importância que apregoam.

 

Custa-me ver casamentos de amigos em risco por esta inércia.

 

Confissões

 

No seguimento do que está escrito acima, deixo algumas confissões que talvez façam corar alguns e algumas, e que possam levar a tirar conclusões mais acertadas acerca da minha pessoa.

 

Tenho um compromisso que tenho honrado. Tenho fantasias, muitas... que advém de uma criatividade muito fértil, e que realizo de acordo com a vontade do meu companheiro.

Não tenho tabus no que respeita ao sexo. Abro as pernas sem problemas, tenho iniciativa, masturbo-me frequentemente. Quando faço sexo não penso se tenho celulite, se estou gorda ou a que saberá e cheirará a minha vagina, fecho os olhos e aproveito. Sou ordinária se me apetecer. Gosto de pornografia, excita-me. Gosto muito de sexo, o que não significa que não tenha que existir algo mais forte do que uma atracção para o fazer.

Olho para outros homens, fantasio com outros homens e isso é o limite que me impus. Daí a comê-los vai uma distância considerável.

 

Daqui podem deduzir, para quem ficou com a ideia errada, que também o pirata é APENAS e SÓ um amigo. Falamos sobre sexo porque infelizmente não há muita gente com quem possamos falar. Falamos sobre sexo no msn e quando almoçamos juntos. Fazemos corar as pessoas nas mesas ao lado e provocamos ataques cardíacos aos velhotes.

 

E porque o que pensam os meus amigos é mais importante do que aquilo que pensam os desconhecidos, aproveito ainda para confessar ao meu amigo H que não tive nada com o R. Peço-te desculpa por ter levado a brincadeira longe demais, mas diverti-me com o teu ciume. A verdade deve ser uma bandeira em qualquer tipo de relação. Espero que este post, que te farei chegar porque sei que não vens aqui, te faça entender quem eu sou na verdade. Pareceste-me um pouco chocado com o que aqui leste.

 

Todos os posts colocados por mim neste blog não passam de fantasias, contos eróticos, à excepção da primeira experiência com o R., que já leva uns belos anos.

 

Não gosto de rótulos, daí este post em que na verdade acabei por me expôr.

 

Bem pessoal, agora vou ver o euromilhões, e se não aparecer mais é porque criei um blog bem mais excêntrico do que este.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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